[20/11/2008] Pelo quarto pregão seguido, a Bovespa fechou em baixa, desta feita colada ao comportamento das bolsas americanas. O Ibovespa recuou 2,02%, aos 33.404,55 pontos.
Oscilou entre a mínima de 33.275 pontos (-2,4%) e a máxima de 34 786 pontos (+2,03%). No mês, acumula perdas de 10,34% e, no ano, de 47,71%. Por causa do feriado do Dia da Consciência Negra hoje em algumas cidades brasileiras, entre as quais São Paulo, o giro foi ainda mais fraco e somou R$ 2,897 bilhões.
As preocupações cada vez mais fortes com o tamanho do impacto da crise na economia real têm desmotivado os investidores, que não vêem outra alternativa a não ser ajustar suas carteiras, para baixo.
Ontem, os Estados Unidos apresentaram outro índice de inflação fraco, assim como outro dado débil do setor de construção civil, sinais da fragilidade econômica, reforçada pelos problemas cada vez mais urgentes nas grandes montadoras do país.
No Brasil, as condições estão muito melhores do que as vistas nos Estados Unidos e Europa, o que não quer dizer, no entanto, que a crise não tenha se espalhado.
Além disso, os investidores estrangeiros, que se beneficiaram do bom retorno doméstico por muito tempo, acabam se desfazendo dos ativos ou para cobrir prejuízos ou apenas para fugir do que seria um mercado mais arriscado.
Foi por isso que a Bovespa sofreu em alguns momentos da crise.
Mas é preciso lembrar que as commodities, que têm grande peso nas ações do Ibovespa, também têm/terão demanda menor, o que significa resultados mais fracos e também ações mais baratas.
bons números. Apesar disso tudo, o País tem conseguido mostrar bons números, basta ver os números divulgados ontem pelo IBGE e pela Receita Federal. A taxa de desemprego recuou para 7,5% em outubro, ligeiramente abaixo dos 7,6% em setembro e inferior à taxa registrada em outubro do ano passado, de 8,7%.
Para Patrícia Blanco, na Bolsa, a trajetória, no entanto, ainda deve ainda ser turbulenta e negativa, acompanhando o cenário externo. E o giro deve seguir fraco. Se bem que para André Segadilha, estrategista da Maxima Asset Management, depois do tombo à metade do giro doméstico, até mesmo os estrangeiros estão mais cautelosos na venda.
As vendas no Brasil foram fortes nas blue chips e setores siderúrgico e bancário. A Votorantim Metais informou ontem que está reduzindo sua produção de zinco para adequar a oferta à demanda internacional mais fraca.
A companhia demitirá 55 funcionários em Juiz de Fora (MG) e concederá férias coletivas durante o mês dezembro nesta unidade. Usiminas ON liderou as perdas do Ibovespa ao cair 7,32%. As ações PNA recuaram 5,71%. Gerdau PN foi a terceira maior queda do índice, com -6,77%. Cosan ON, no meio delas, perdeu 7,19%. Metalúrgica Gerdau PN recuou 4,51%.
As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fecharam em alta, de 0,59%, na contramão do setor siderúrgico diante da expectativa da liquidação financeira da venda de 40% da mineradora Namisa para um consórcio asiático e a entrada em caixa de US$ 3,12 bilhões.
No setor bancário, Bradesco PN caiu 2,45%, Itaú PN, 5,21% Unibanco unit, -5,02%, BB, -0,60%, e Nossa Caixa, -0,37%. Ontem, o governador de São Paulo, José Serra, está em Brasília e esteve reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente Lula. A expectativa era de que a pauta do encontro seria a venda da Nossa Caixa para o BB.
As ações de Petrobras, que também chegaram a subir durante a manhã, retomaram o sinal negativo à tarde, influenciadas pelos preços deprimidos do petróleo. Petrobras ON recuou 4,29% e PN, 3,90%. Vale ON caiu 2,15% e Vale PNA, 2,77%. As maiores altas do Ibovespa foram Gol PN, 8%, Transmissão Paulista PN (+6,10%) e Tele Norte leste Par PN, +5,92%.
juros futuros. A trajetória de queda traçada pelos juros futuros desde sexta-feira foi interrompida nesta tarde. O aumento da volatilidade externa contaminou os ativos domésticos e abriu espaço para que as taxas devolvessem parte do alívio recente, mas em um ambiente de liquidez reduzida.
O DI janeiro de 2010 (167.115 contratos) terminou em 14,92%, de 14,84% da última terça-feira, e o DI janeiro de 2012 (40.395 contratos) subiu de 15,69% para 15,82%. O DI janeiro de 2009 (84.025 contratos) passou de 13,52% para 13,56%.
A disparada do dólar à vista foi citada como um dos gatilhos para que alguns investidores mais expostos ao risco prefixado promovessem ajustes em suas posições, especialmente nesta véspera de feriado.
Pela manhã, os DIs mantiveram-se em baixa, a despeito das notícias negativas no exterior e de novos sinais de robustez da economia local.
A economia americana deu mais um indício de debilidade, com a baixa de 1% do índice de inflação ao consumidor em outubro ante setembro, a maior queda desde 1947, acima do número esperado por analistas (-0,8%).
Profissionais das mesas de renda fixa e tesourarias relataram que ontem, especialmente no período da manhã, houve continuidade do desmonte de operações no mercado secundário de títulos públicos, estimuladas pela queda da inflação implícita das NTN-B.
A avaliação é de que, diante de um cenário de desaceleração econômica em 2009, é possível que o pico da pressão inflacionária tenha ficado para trás, apesar da pressão no câmbio.
Carregar (papel de) inflação para o próximo ano pode não ser uma boa opção, disse o gestor de renda fixa da Global Equity, Octavio Vaz.
De volta ao exterior, os analistas destacaram a decisão de política monetária na Turquia, onde o Banco Central reduziu o juro em 0,5 ponto percentual, para 16,25%, decisão amparada nas evidências de redução da atividade econômica, segundo comunicado do BC.
É mais uma pressão sobre o BC brasileiro, avaliou outro gestor de uma asset, lembrando que o relaxamento monetário não está mais restrito aos países desenvolvidos.
Hoje, a Bolsa estará fechada em razão do feriado municipal do Dia da Consciência Negra e os negócios domésticos deverão estar restritos ao mercado interbancário de câmbio. Nos EUA, estão previstas as divulgações do índice dos indicadores antecedentes e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego.
Fonte: Jornal do Commercio/RJ Postado em 20/11/2008
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