[20/11/2008] A desaceleração de setores industriais como o automotivo e o da construção civil fez os fabricantes de fios e cabos reduzirem a expectativa de crescimento.
"Estamos enxergando um certo recuo nas vendas, que já foi sentido em novembro e deve se intensificar em dezembro", disse Sergio Aredes, presidente do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel).
O setor observou um desempenho acima do esperado até setembro, com uma alta de 7%, o que fez a entidade revisar as projeções de 5% a 6% inicialmente previstos, para até 8%. Agora, representantes das fabricantes voltaram atrás e avaliam que o crescimento não deve passar dos 6%.
"O problema maior é o recuo geral que toda a indústria tem tido" afirmou Aredes. O executivo citou as montadoras, que já anunciaram férias coletivas e as redes varejistas de material de construção e material elétrico, que estão reduzindo o nível de estoque.
Além disso, o preço do cobre apresentou queda de cerca de 57% desde julho na Bolsa de Metais de Londres (LME), para cerca de US$ 4 mil por tonelada, apenas em parte compensada pela alta do câmbio.
O presidente do Sindicel afirmou que por conta da queda nas vendas, os fabricantes também estão reduzindo a produção. "As empresas estão estimulando as férias neste período, reduzindo os custos de produção, os estoque e as compras para se proteger desse período de estagnação", disse.
Para o ano que vem, os fabricantes de fios e cabos projetam que a economia ainda deve "andar de lado" no primeiro trimestre, mas deve haver uma retomada a partir de abril. "O País precisa infra-estrutura, as empresas possuem planos de investimento em andamento, podem estender os prazos, mas devem concluí-los, portanto haverá uma redução do nível de crescimento, mas não acredito em recessão no Brasil", disse.
As estimativas iniciais apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 3% e para um crescimento do setor de entre 1,5% e 2%.
"O setor automotivo deve apresentar um recuo da produção em relação à este ano, e a construção civil seria muito afetada, mas se o governo tomar medidas corretas e conseguir manter a taxa em 4 a 5% será ótimo", disse.
Fonte: Gazeta Mercantil/SP Postado em 20/11/2008
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