[08/10/2008] Ainda faltam praticamente seis anos, e nesse período haverá uma edição na África do Sul, mas a Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014, já deixa o povo brasileiro em polvorosa — e o mercado imobiliário muito esperançoso. A diferença é que os empresários do setor vão torcer em duas frentes: como brasileiros, pela seleção, e como empreendedores, por excelentes negócios.
Os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, e as copas do mundo realizadas em outros países são um ótimo parâmetro do que está por vir. Se a indústria imobiliária vive um momento privilegiado, a tendência é que isso melhore ainda mais.
Lembrando o que ocorreu no Rio de Janeiro, pode-se até apontar pontos negativos, mas no cômputo geral os resultados estimulam apostas ainda maiores dos empre sários. As obras para melhorar a infra-estrutura viária da cidade, a reforma de monumentos, ginásios e estádios (como o Maracanã) valorizaram algumas regiões depois dos Jogos. Um exemplo é o Complexo Esportivo no Au tódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, cuja arena esportiva e parque aquático continuam sendo usa dos depois do evento.
A construção da Vila Pan-Americana, com os alojamentos para os atletas, então, foi um caso à parte. Antes mesmo de o evento começar, os 1.480 apartamentos, distribuídos em 17 prédios, foram rapidamente vendidos. E essas unidades foram negociadas por preços a partir de R$ 180 mil cada. Ou seja, o Pan mostrou que se pode aproveitar um evento dessa magnitude para impulsionador a economia e o desenvolvimento do setor imobiliário.
Eco em todo o Brasíl
Se no Pan do Rio os resultados já foram bons, a Copa tende a ser ainda melhor, pois mais de uma dezena de estados estarão envolvidos ou sediarão jogos.
Segundo o Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da En genharia), os investimentos para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil ainda estão muito incipientes, a maioria deles em fase de projeto e ligados aos estádios, mas já estão acontecendo.
Estudos provam que, como aconteceu em outros países que sediaram grandes eventos esportivos, o Brasil terá uma chance sem igual de obter financiamentos e atrair investidores para melhorar sua infra-estrutura em trans portes, saneamento e energia, entre outras áreas, e de renovar-se por inteiro nos próximos seis anos.
A questão da infra-estrutura necessária, especialmente em logística, meios de transporte e melhoria das condições das atrações turísticas, deverá ter forte investimento público. Já a hospedagem é de caráter privado em sua totalidade. Os governos brasileiros, em suas três esferas de poder (federal, estaduais e municipais), não têm, porém, recursos para bancar sozinhos os investimentos necessários.
A FIFA cederá cerca de US$ 500 milhões, que serão empregados em obras, principalmente esportivas, mas estima-se em cerca de US$ 10 bilhões o investimento total necessário à realização da Copa.”Assim, o apelo às concessões e parcerias público-privadas deverá ser um recurso necessário ao financiamento das obras exigidas pela FIFA para a realização da Copa 2014 de forma eficiente”, afirma José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco.
Para João Crestana, presidente do Secovi-SP, trata-se de excelente oportunidade para melhorar a infra-estrutura do País e movimentar o mercado imobiliário, pois terão de ser construídas vilas residenciais para os atletas, que depois poderão ser comercializadas ao mercado consumidor.
Também serão necessárias a construção de novos hotéis, melhoria dos já existentes e a modernização de aeroportos, trens e vias expressas. Ao final, todos os serviços efetuados serão incorporados ao patrimônio imobiliário das cidades.
Para o representante do Sinaenco, um país que sedia uma Copa do Mundo de Futebol obtém o desenvolvi mento equivalente ao que seria alcançado em 50 anos de ritmo “normal” da economia. “Este é o único evento esportivo mundial que consegue essa proeza, pela magnitude que alcança, pelo número de turistas e interessa dos no esporte que afluem ao país-sede e pela extensa cobertura de veículos de comunicação de todo o planeta. Assim, o mercado imobiliário acaba se beneficiando pelo incremento formidável que a economia brasileira deverá obter, antes e durante o evento e, posteriormente, com as melhorias urbanas permanentes — estas, sim, o maior legado para o País.”
Para finalizar, um ponto deve ser ponderado: será que os estados possuem infra-estrutura comercial e residencial para comportar uma Copa do Mundo? Para Bernasconi, estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, entre outros com mais renda, certamente já possuem infra-estrutura comercial para comportar um evento desse porte. “Mas é certo que serão necessárias obras para aumentar o número de leitos de hotéis e pousadas, embora do ponto de vista estrito, as obras residenciais não sejam o foco desse evento. Mas o maior desafio é aproveitar o interesse pelo futebol para mobilizar toda a sociedade brasileira e impulsionar o desenvolvimento do país para depois de 2014”, conclui.
E TUDO COMEÇA PELOS CAMPOS
Estudo realizado pelo Sinaenco em 29 estádios de 1 7 cidades brasileiras mostra que as instalações esportivas precisam de manutenção e que muita coisa precisa ser feita antes do País receber o Mundial, em 2014. Dos estádios vistoriados pelos técnicos e arquitetos da entidade, 95% possuem banheiros em condições ruins ou péssimas, 60% apresentam pontos cegos, que reduzem a visibilidade do campo, e 1% registram orientação solar incorreta. Mas o mais grave, segundo a avaliação, é a falta de manutenção. E não é só isso, todo o entorno dos estádios e a infra-estrutura das cidades precisa de cuidados.
Os planos para a Copa 2014 podem ser inseridos em várias metas estabelecidas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado no ano passado pelo Governo Federal e que prevê investimentos de mais de R$ 500 bilhões até 2010, em três áreas principais.A que irá receber maior volume de recursos é a de infra- estrutura energética, algo em torno de R$ 274 bilhões, ou 54,5% do total. A área de infra-estrutura social e urbana é a segunda mais importante, com R$ 1 70,8 bilhões, ou 33,9% do total, para atender problemas em habitação e saneamento. A terceira área em investimentos é a de infra-estrutura de logística, com R$ 58,3 bilhões, que serão aplicados em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Fonte: SINDUSLETTER Postado em 08/10/2008
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