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COMEÇA A FALTAR CIMENTO EM SÃO PAULO

[08/10/2008] SÃO PAULO - Falta cimento no mercado. É o que dizem os construtores, os varejistas e os consumidores, embora os fabricantes do produto neguem. Todos estão de acordo, no entanto, que desde 2006 a demanda pelo material tem crescido gradativamente, puxada pelo aquecimento do mercado imobiliário e pelo aumento da renda da população - que tem se animado a construir ou encarar reformas para ampliar a casa.

Com o produto escasso e a procura alta, vale a lei de que os preços sobem. No acumulado de 12 meses até agosto, segundo dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco), o consumo do produto cresceu 12% no volume físico, em relação a 2007. O preço, por sua vez, aumentou 28,7% no mesmo período, de acordo com levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP).

"Num país que diz que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de 6%, estamos com produtos básicos subindo acima de 25%. É uma brutalidade esse aumento de preços na construção, num momento de aquecimento do setor. E é claro que aumentos desse nível vão trazer inúmeros problemas", disse Sérgio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP.

Há cerca de três semanas, duas fábricas da Votorantim Cimentos - uma em Itaú de Minas (MG) e outra em Santa Helena (SP) - tiveram a produção parcialmente paralisada para manutenção de equipamentos. Na segunda-feira passada (dia 22), as fábricas voltaram a funcionar normalmente, segundo a empresa. Mas a redução no ritmo de fabricação do produto ao longo de quase duas semanas preocupou o mercado e pressionou ainda mais os preços.

''Quem não pesquisa, se dá mal''

Preços do material de construção têm forte variação

Ana Paula Lacerda, SÃO PAULO

A microempresária Marisa Fonseca está há três anos fazendo pesquisa de preços de material de construção. "É o tempo que a casa está em reforma.", diz. "E, se não pesquisar, você se dá mal."

Marisa conta que, no início do ano, comprava sacos de cimento a R$ 12 e agora o preço médio do produto nas lojas é R$ 14. "Em alguns lugares, já passou de R$ 16."

Segundo ela, outro problema era que o produto mal chegava nas lojas e já acabava. "Algumas vezes, comprávamos dez sacos e, quando íamos retirar, a loja só tinha cinco. Aí, tínhamos de voltar no dia seguinte para pegar o resto. Não chegou a faltar nem a parar a obra, mas exigia que fizéssemos mais voltas."

O aumento na demanda fez com que o produto sumisse de algumas lojas. Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, São Paulo concentra 29% de todas as lojas de material de construção do Brasil - a região Sudeste compreende 52% - e também o maior consumo de cimento.

Como a reforma na casa foi grande, Marcia se tornou especialista em caçar promoções. "O preço dos produtos subiu muito nos últimos meses. Cimento, areia, pisos, material para acabamento. Ir a várias lojas para comprar onde fosse mais barato foi a solução para driblar os aumentos."

O analista de sistemas Fábio Nishikiori defende a mesma prática. "É uma via-crúcis necessária", afirma, sobre a visita a várias lojas antes de fechar uma compra. Ele se diz sortudo, porque fez o maior gasto com cimento há alguns meses, antes do aumento. "Agora compro pouco, apenas se necessário." Porém, dos aumentos de areia (24% nos últimos 12 meses) e argamassa ele não conseguiu escapar. Organizado, anotou em planilhas todos os preços pesquisados. "Aconselho a qualquer um que for fazer reforma a anotar tudo, pesquisar muito e se preparar com um dinheirinho extra, porque sempre aparecem mais coisas a fazer do que você planejou no início."

Os prazos, segundo Nishikiori, também estão mais apertados. "Não sei se já é um efeito da crise, que disseram que afetaria o crédito, mas as lojas reduziram em alguns meses os prazos para parcelamento de materiais."

Procuradas, as redes de varejo de materiais de construção não comentaram o assunto. A rede Dicico tem um contrato com a Camargo Corrêa (fabricante do cimento Cauê) para fornecimento e distribuição. "Como não está sentindo a interferência em seu negócio, a Dicico prefere não se posicionar sobre o assunto", disse a assessoria de imprensa da empresa, sem detalhar se houve variação nos preços.

Telhanorte e Center Castilho não responderam aos pedidos de entrevista. A Leroy Merlin e a C&C informaram que seus porta-vozes estavam em reunião ou viajando.

Fonte: SINDUSLETTER
Postado em 08/10/2008

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