[01/10/2008] O QUE VEM PRIMEIRO: PROJETO
O telhado protege de sol, chuva e vento, mas não só. Funciona como uma espécie de moldura, tendo o poder de completar ou até definir o estilo de uma casa. Exagero? Então pense num chalé. A cobertura é parte do projeto arquitetônico de uma residência. Por isso, cabe ao arquiteto desenhá-la. Com o projeto em mãos, o engenheiro faz os cálculos para dimensionar a estrutura. Nessa conta entram vários fatores, como a existência ou não de caixas d’água apoiadas nas tesouras e a ação dos ventos, que varia conforme a região onde se construirá.
QUEM CHAMAR
Basta consultar dados sobre construção para descobrir que telhado é um item caro, que consome de 8% a 12% do total da obra. Portanto, o projeto estrutural e a execução devem ser entregues a quem entende do assunto - um profissional ou uma empresa especializada. Essa é a forma mais correta, mas não a mais adotada no Brasil. Por aqui, manda a improvisação: são comuns os projetos que estabelecem apenas o número e a inclinação das águas, deixando ao carpinteiro a tarefa de determinar a quantidade e o tamanho das peças necessárias para suportar o peso total. No final, essa aparente economia acaba custando caro. Na melhor das hipóteses, o madeiramento será superdimensionado, desperdiçando material e sobrecarregando as fundações. Na pior, vigas subdimensionadas levam o risco de desabamento. No caso de estruturas metálicas, vale o mesmo principio. É freqüente que obras pequenas sejam confiadas ao serralheiro. Nessa situação, eventuais erros de cálculo podem ser agravados por falhas na soldagem e problemas de alinhamento.
A boa noticia é que, se for bem elaborado, montado com materiais de qualidade e bem conservado, o telhado pode durar a vida toda, quer seja de madeira, quer seja de metal.
Para certificar-se de que o projeto foi bem feito, veja se estas informações constam nele:
• A quantidade exata de cada componente ou material.
• As dimensões das peças, calculadas em função da resistência da madeira escolhida.
• O local onde ficarão apoiadas as tesouras.
• A existência de lajes e forros. Se houver laje, o peso da cobertura será apoiado nela. Mas, se for dispensada e em seu lugar houver um forro, ele ficara “pendurado” na estrutura e terá que entrar na conta do dimensionamento das vigas.
• Os valores das cargas descarregadas pelo telhado na casa. Esses números serão úteis nos cálculos da estrutura e das fundações. Viu por quer é importante projetar o telhado muito antes de começar a obra?
ERROS MAIS COMUNS
A Falta de projeto estrutural pode resultar em defeitos que comprometem a segurança da cobertura, como mostram os exemplos a seguir:
MADEIRA
O encontro das peças superior e inferior – conhecidas como banzos – é o ponto principal de uma tesoura. Justamente aqui se encontram os maiores esforços de sustentação do telhado. Por esse motivo erros nessa região são tão perigosos.
ERRADO – A junção das peças não tem o apoio de viga de concreto ou pilar. Isso pode provocar uma barriga no telhado, ou, no jargão técnico, selar a estrutura.
CERTO – As peças devem se encontrar sobre o apoio. Uma das soluções possíveis para essa situação seria reforçar a estrutura com uma mão-francesa fixada na alvenaria
ERRADO – O dente de ângulo muito aberto faz a peça superior ficar mal encaixada, podendo escorregar. Excessivamente fechado, se transforma numa espécie de cunha, provocando rachaduras no banzo inferior. O estribo (acessório metálico que abraça a junção) é desnecessário: instalando com a madeira ainda verde, fica frouxo conforme ela seca.
CERTO – O formato do dente depende diretamente das dimensões das peças do telhado. Sendo assim, resulta de cálculos estruturais que só um especialista pode fazer.
Os pontos de interseção de peças – chamados de nós ou juntas – são os locais mais apropriados de estrutura para receber cargas.
ERRADO – Esta situação costuma ocorrer em qualquer um dos nós do banzo inferior. Note que a peça diagonal esta apoiada fora do cruzamento dos eixos, submetendo a madeira a flexão. Resultado: a estrutura pode deformar-se ou até ruir. Além disso, há um único parafuso.
CERTO – Para que a tesoura funcione bem, a peça diagonal precisa apoiar-se na junta, onde descarrega o peso. Em relação aos parafusos, é obrigatório utilizar pelo menos dois( conforme as normas brasileiras), com diâmetro definido em projeto.
ERRADO – A terça está fora da junção entre o pontalete (viga vertical) e a diagonal da tesoura. Isso submete a peça superior a flexão, podendo deixar a estrutura com aquela famosa barriguinha. Quanto maior o vão vencido pelas terças mais sério é o problema.
CERTO – A posição das terças deve sempre coincidir com os pontaletes. Dessa maneira, a carga será distribuída corretamente pela estrutura.
METAL
Quando não se faz projeto, são dois os problemas mais freqüentes:
• SOLDA MALFEITA. Esse é um ponto particularmente vulnerável das estruturas metálicas, pois a solda ruim pode destruir a proteção do metal (galvanização, pintura etc.), deixando a porta aberta para corrosão.
• MONTAGEM. Em estruturas mal executadas, proliferam os erros de alinhamento e prumo.
PARA CADA PROBLEMA, UMA SOLUCÃO.
• CALOR. As subcoberturas de polietileno e alumínio são fiéis aliadas de quem pretende refrescar a casa. São instaladas sob as telhas, sem encostar nelas nem no forro – alias, é fundamental deixar vãos de pelo menos 3 cm acima e abaixo da manta. Assim, formam-se colchões de ar, importantes para reduzir a entrada de calor pelo telhado. Mas, se for o frio que incomoda você, apele para isolantes térmicos como a lã de vidro e a lã de rocha, que diminuem a perda de calor pela cobertura. O principio é simples: o ar que preenche suas cavidades internas isola a temperatura.
• LUZ NATURAL. Quer proteger a garagem sem escurecer a sala? Dar mais vida ao corredor lateral? Uma boa saída para essas situações são as telhas de vidro ou de plásticos resistentes, como o policarbonato e o PVC. Existem duas formas de utilizá-las: cobrindo inteiramente o local ou salpicando algumas peças transparentes em meio as demais. A primeira opção pode ser a mais desejável, mas nem sempre é viável, por causa do custo.
Fonte: SINDUSCON-PVH Postado em 01/10/2008
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