[10/07/2008] Uma análise dos custos da construção civil no primeiro semestre permite concluir: os preços dos insumos aumentaram acima do esperado, mas há evidências de que isto não deva se repetir no segundo semestre.
Vejamos o que aconteceu com o CUB (Custo Unitário Básico), indicador oficial do SindusCon-SP e da FGV que mede os custos da construção civil no Estado de São Paulo.
De janeiro a junho, o CUB subiu 6,03%, ficando abaixo da variação do IGP-M, de 6,82%. Para este resultado, contribuíram: o aumento da mão-de-obra, de 7,61%, em função dos reajustes negociados com os trabalhadores, e que incorporaram aumento real de salários; e a elevação dos insumos da construção, de 4,66%.
Nos últimos dozes meses, o CUB aumentou 9,66%, sendo que os materiais subiram 10,34% e a mão-de-obra, 9,30%. O pico mensal foi em maio, mês do início dos reajustes salariais, quando o CUB se elevou em 2,72%.
Já em junho a variação foi menor, de 2,14%, ainda sob impacto dos reajustes salariais. Mas no mês passado os preços dos insumos atingiram o patamar mais alto dos últimos dozes meses, 1,46% –ainda assim, abaixo do IGP-M de 1,98%. Dos 41 insumos que compõem o CUB, 14 apresentaram variação acima do IGP-M nos últimos doze meses.
Com contratos por cumprir, a construção resistiu o que pôde a esses aumentos, mas acabou obrigada a sancionar parte deles. Contudo, a volta da inflação é inaceitável. O governo e toda a cadeia produtiva do setor devem redobrar esforços para inibir novos aumentos.
No segundo semestre, construtoras vão se unir em associações para realizar compras conjuntas em São Paulo e no Rio de Janeiro. As importações de insumos devem aumentar. Devido aos reajustes salariais derivados dos acordos coletivos recentemente firmados, não há previsão de novos aumentos ou atendimento de reivindicações que impliquem elevações de custos. A qualificação da mão-de-obra será intensificada, com o intuito de elevar a produtividade.
Sinal alentador: a oferta de insumos tem crescido e, com exceções pontuais, atendido o aumento da demanda.
O melhor indicador nesse sentido foi fornecido pela Abramat (reúne produtores de materiais de construção). Sondagem da entidade apontou que 54% das suas associadas pretendem investir nos próximos 12 meses para ampliar a capacidade de produção. Isso envolve tanto fabricantes de materiais de base como cimento e aço, como os de materiais de acabamento.
Os investimentos feitos pelos fabricantes para elevar a produção começarão a fazer efeito no curto prazo. Espera-se menor pressão inflacionária das commodities. Haverá resistência a novos aumentos dos prestadores de serviços à construção.
A cadeia produtiva continuará a enfrentar problemas pontuais de custos, como o causado pela restrição à circulação de caminhões em São Paulo. Mas a expectativa é de uma elevação menor, que deverá frear o CUB.
O governo pode ajudar. Retomada das reformas tributária e trabalhista, facilidades ao crédito para importação e estímulo à oferta em vez de medidas de inibição à demanda deverão aliviar as pressões do dragão inflacionário não só na construção, mas na economia em geral.
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO Postado em 10/07/2008
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