[05/07/2008] O Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) levou a uma mudança no perfil de representação empresarial no País, que passou a atuar com mais liberdade e independência, na opinião de Joseph Couri, um dos fundadores do movimento e presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi). Foi Couri quem alugou o Anhembi para a realização do encontro histórico em 1987. Couri, então diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), não obteve o apoio que esperava do então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Amato, que além de proibir o uso da logomarca da entidade, pediu que suspendessem o encontro.
"Em reunião com (os empresários) Paulo Butori, Luiz Carlos Delben Leite e Ronaldo Marchese surge o PNBE", conta Couri. Foi a única maneira "do movimento ser realizado porque entendíamos ser importante e necessário que alguém gritasse e convidamos todos os presidentes de federações".
Couri teve de sair do Ciesp diante do descontentamento de Amato. Em uma conversa dura, o presidente da entidade pediu a Couri que optasse entre a Fiesp ou o movimento. Também foram destituídos de seus cargos na Fiesp Paulo Butori, diretor-adjunto do departamento de Estatística, Oded Grajew, diretor-adjunto do departamento de Expansão Social, e Bruno Nardini, diretor do departamento de Cooperação Sindical.
Naquele momento, afirma Couri, havia necessidade de reformas que hoje se tornaram realidade e foram incorporadas pela sociedade brasileira - e os empresários queriam discutir com o governo suas propostas para a Assembléia Nacional Constituinte, entre outros temas. "Havia uma panela de pressão e as instituições democráticas tiraram a tampa e tudo explodiu", analisa. "Uma bandeira como a realização de uma assembléia constituinte livre e soberana era um movimento democrático que reunia qualquer pessoa livre e honesta".
No final do Plano Cruzado, o combate à inflação, que alcançou 363,41% em 1987, era crucial. "Qualquer um que não seja especulador sabe o que isso (a inflação) representa, o ônus e o custo para a sociedade", comenta.
As mudanças de bandeiras são naturais e um sinal dos tempos, avalia Couri. "O movimento continuará sendo importante. Mudou seus rumos com o passar do tempo e cada um seguiu outro caminho. O PNBE hoje é uma realidade nacional. Não é apenas um pólo empresarial mas da sociedade civil, que ergue bandeiras e luta por elas", afirma Couri.
Para o empresário, o movimento teve um efeito aglutinador e mostrou que muita coisa poderia ser mudada com trabalho sério e profissional. "Alguns seguiram caminhos político-partidários; outros, os caminhos empresariais", diz.
Mas os fundadores do movimento, apesar das divergências, "estão em entidades de classe representativas e têm voz respeitada ainda no dia de hoje". Couri integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do empresário Luiz Carlos Delben Leite, que esteve no evento realizado 1987.
Fonte: Gazeta Mercantil Postado em 05/07/2008
 |