[05/07/2008] Encontrar escritórios de alto padrão, modernos e bem localizados está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil e, principalmente, cara para as grandes companhias instaladas no Brasil. Por conta de um crescimento econômico abrupto, ampliação de operações da empresas e a onda de aberturas de capitais que obrigou muitas companhias a se instalarem em locais mais que tragam mais status, o preço dos aluguéis nos escritórios considerados classe A disparou nas duas principais capitais do país. Em São Paulo o valor mensal cobrado pelo metro quadrado cresceu mais de 25% em relação aos valores cobrados em 2007. No Rio, onde a escassez de imóveis corporativos de alto padrão é maior, o reajuste tem ultrapassado a casa dos 15% em alguns casos.
Resultado direto de um desequilíbrio entre oferta e demanda, o aumento nos preços dos alugueis está inflacionando também o preço dos ativos imobiliários de alto padrão. Foi com base nos valores cobrados para locação na Zona Sul de São Paulo que o banco Santander aceitou pagar a pequena fortuna de R$ 1,06 bilhão pela Torre JK, construída pela WTorre sobre o antigo esqueleto do prédio que seria a sede da Eletropaulo. "Foi uma exceção, não existem mais grandes áreas disponíveis de alto padrão na cidade, por isso os preços estão tão altos", diz Luiz Graça, da consultoria imobiliária Binswanger.
Hoje, na média, o metro quadrado de edifícios classe A localizados em área nobres nobres de São Paulo é alugado por R$ 79, de acordo com levantamento feito pela consultoria Jones Lang LaSalle. Há um ano essa média não passava dos R$ 63. "Há um claro desequilíbrio entre o volume de empresas em busca de espaços novos e o ritmo de entrega dos novos edifícios", diz Lilian Feng, gerente da área de pesquisa da consultoria.
Apesar de a média ainda estar abaixo dos R$ 80, em algumas regiões da cidade, como a Avenida Faria Lima, na zona Sul da capital paulista, os valores pagos pelo metro quadrado já romperam a barreira dos R$ 100. "Ainda não é a regra, mas nós já alugamos um escritório de 200 metros quadrados pelo preço recorde de R$ 130 o metro, ou seja, R$ 26 mil mensais por um escritório que pode até ser considerado pequeno pelos padrões da região", diz Adriano Sartori, diretor de locação da consultoria imobiliária CB Richard Ellis.
No Rio a situação não é muito diferente. De acordo com estimativas da Jones Lang LaSalle, o valor dos aluguéis na capital fluminense deve sofrer um reajuste superior a 12%, atingindo um preço médio R$ 75 o metro quadrado. Por lá o aumento é menor porque não há praticamente oferta e, assim, poucos novos contratos. A taxa de vacância no Rio é de apenas 2%, enquanto em São Paulo fica na casa dos 8%. Por conta disso, não causa surpresa que que os dois edifícios inaugurados pela incorporadora norte-americana Hines na cidade este ano já estivessem completamente locados bem antes da entrega das chaves.
Para as empresas em busca de um novo espaço em edifícios classe A, o cenário é extremamente negativo, em especial paras as multinacionais. Além de preços cada vez mais altos, a depreciação do dolar frente ao real está gerando aumentos ainda maiores quando as subsidiárias submetem os gastos com locação junto às matrizes. Para muitos especialistas do setor, os R$ 2,3 milhões que a Nestlé esta pagando mensalmente à Hines para utilizar a antiga sede do BankBoston não chega a ser um valor alto. "A situação está complicada, nem mesmo para nós, que atuamos no mercado, estamos conseguindo encontrar um lugar para expandir nossas operações ", diz Luiz Graça, da Binswanger.
Para as incorporadoras e administradoras de ativos imobiliários, no entanto, o momento não poderia ser melhor. Em muitos casos, empreendimentos que ainda estão na fundação já estão com contratos de pré-locação fechados. "O mercado está comprador e acredito que os preços continuarão a subir, o mercado entrou em um novo patamar", diz Bruno Laskowsky, presidente da Cyrela Commercial Properties. Cada um dos 22 mil metros quadrados do recém inaugurado JK 1455, construído pela CCP na zona Sul de São Paulo, foi alugado em média por R$ 100 . "Não tivemos problemas em chegar ao nosso preço alvo", diz Laskowsky.
O otimismo do presidente da CCP não é uma unanimidade no mercado. Para muitos que acompanham o setor os preços estão próximos do teto. "É claro que quem define isso é o mercado, mas acreditamos que não teremos mais aumentos consideráveis por conta dos novos prédios que chegarão ao mercado", diz Sartori, da CB Richard Ellis. A expectativa é de que São Paulo receba novos 250 mil metros quadrados de edifícios de alto padrão nos próximos dois anos. "Ainda há espaço para aumento nos preços, mas não muito", diz Milena Morales, gerente de pesquisas da consultoria Cushman & Wakefield. "O certo é que não haverá redução nos valores recordes que temos hoje".
Fonte: Valor Econômico Postado em 05/07/2008
 |